segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Tropa de Elite


As vésperas do lançamento do filme “BOPE – Tropa de Elite” impossível não fazer alguns comentários:
1) O filme nem foi lançado e já foi assistido por milhares de pessoas (principalmente no Rio de Janeiro);
2) Lembra quando foi lançado no Brasil o filme “Os Turistas” que conta as desventuras de um grupo de jovens americanos que decidem passar as férias no Rio de Janeiro?
Bem, eles caem no golpe “boa noite Cinderela”, são assaltados, torturados, tem órgãos retirados, etc...Nossa, como os americanos degradam a imagem do Brasil, agora, qual a imagem que o nosso cinema mostra ao mundo? Os americanos mostram seus heróis ao mundo desde que Hollywood existe. E nós?
Genial esse trecho de um artigo de Luciano Pires sobre o cinema brasileiro.

...uma obra prima de 1950, “O Cangaceiro”, de Lima Barreto. Em preto e branco, mostrando pela primeira vez ao mundo uma imagem do Brasil que ninguém conhecia: o nordeste dos cangaceiros, da seca, da miséria e da violência. Em seguida “O Pagador de Promessas”, de 1962, de Anselmo Duarte e Dias Gomes, emocionante. O Brasil do nordeste, da miséria, do fanatismo religioso e da violência. Depois Glauber Rocha, nos anos 1960. “Terra Em Transe”. “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”. Com ângulos inovadores e narrativa diferente, o nordeste, a miséria e a violência dos cangaceiros. E tem também “Macunaíma” de Joaquim Pedro de Andrade, de 1969. Que loucura! A miséria e o esculacho brasileiros.
Depois daríamos um salto no tempo, pois nenhuma pornochanchada seria digna de exibição lá fora. Faria mal à nossa imagem.
Vamos de Hector Babenco em 1977, com “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia”. A história de um bandido que termina seus dias assassinado na prisão. Depois, também de Hector Babenco em 1981, “Pixote”. Uma obra prima, mostrando as crianças com a vida comprometida pela violência e pelo tráfico. E que tal “Prá Frente Brasil”, de Roberto Farias, de 1983? Os anos da ditadura, da repressão, da tortura e do medo? Ah, tem também “Central do Brasil”, de Walter Salles, de 1998. Que filme lindo. A solidão e a tristeza dos miseráveis com todas as suas cores, numa atuação maravilhosa de Fernanda Montenegro que quase ganha o Oscar de melhor atriz! E então, “Orfeu”, de Cacá Diegues, 1999. A imagem de abertura é linda: o Rio de Janeiro visto do alto, com a estátua do Cristo Redentor em primeiro plano. A imagem sai do Cristo e cai direto dentro de uma favela, no meio de um tiroteio. No clímax da seqüência, uma bala perdida mata a mãe diante da filha pequena.
Ah... não poderia faltar... “Cidade de Deus”, de 2002. Fernando Meirelles levando o Brasil à corrida do Oscar! Obra maravilhosa, com atuações marcantes e um roteiro delicioso. O tráfico de drogas e a violência tomando conta de uma grande favela. Dez! Em seguida, de 2003, “Carandiru”, de Hector Babenco. A seqüência do massacre dos 111 detentos é de tirar o fôlego! E para encerrar, “Os Dois Filhos de Francisco”, de 2005, dirigido por Breno Silveira. Um filme delicioso que conta a história de pobreza e sofrimento de uma família do interior do Brasil. Quando os filhos atingem o sucesso, como dupla sertaneja, e vão ficar ricos, o filme acaba...


Agora temos mais um para adicionar à lista.